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No dia 02 de abril é comemorado o dia mundial da Conscientização do Autismo. No Brasil, há cerca de 2 milhões ou mais de pessoas com o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista. Nesta data e mês, em diversos lugares do mundo, muitas ações são realizadas com o objetivo de mobilizar e sensibilizar pessoas do mundo inteiro a conhecer esta síndrome que cresce cada vez mais.

O autismo é um transtorno que afeta a forma como o indivíduo se relaciona com o mundo. Suas percepções são alteradas, e por vezes, essas especificidades podem afetar o modo como podemos estabelecer uma conexão. No entanto, para Bakan (2014) ao pensarmos no autismo somente como uma patologia, perdemos a oportunidade de quebrarmos um paradigma: construímos uma nova maneira de olhar esse público pelo viés da neurodiversidade[1]. O autor acredita que este pensar não é uma negação da gravidade que o transtorno acarreta na vida do sujeito e de seus cuidadores e sim, redirecionar para uma perspectiva de aceitação das peculiaridades, e que a música seria essa “voz” alternativa para comunicar pensamentos, sentimentos e necessidades.

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O Concerto Azul, idealizado pela Musicoterapeuta Michele Senra, são eventos públicos facilitados por Musicoterapeutas credenciados na AMTRJ (Associação de Musicoterapeutas do Rio de Janeiro).  O projeto surgiu do desejo da idealizadora de facilitar a inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista nas performances de arte e música. Estes eventos são uma ótima oportunidade de celebrar a Neurodiversidade.

Os encontros musicais são abertos ao público em geral, porém oferecemos um suporte especial as pessoas que se encontram dentro do transtorno, que podem apresentar limitações sensoriais ao ambiente do Concerto Azul. A música pode não ser percebida da mesma forma para todos, por que isto requer um desenvolvimento sensorial. Do mesmo modo, assim se faz no aprendizado das habilidades musicais. Cada sujeito é único, diverso em sua complexidade, e devemos oportunizar maneiras deste indivíduo vivenciar e experimentar a música.

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Celebramos o progresso e realizações dos indivíduos assistidos pela musicoterapia, dando oportunidade para o desempenho. Podendo ser uma apresentação solo, dueto com o Musicoterapeuta, em grupo, ou ao lado de um artista convidado.

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Estes eventos oportunizam uma vitrine de talentos para pessoas com autismo. Valorizando sua identidade e capacidade de auto expressão, respeitando sua individualidade e perfil sensorial. “(…) a música, assim como as outras artes, contribui com a construção de espaços sociais que possam acolher a diversidade humana (ALVARES, AMARANTE, 2016, p. 33).

 

Esclarecemos que o Concerto azul não se trata de um serviço de musicoterapia direto, e sim uma oportunidade para desenvolver a prática de Musicoterapia Comunitária e Cultural.

[1] O termo Neurodiversidade (diversidade cerebral) foi cunhado por um grupo de ativistas autistas nos EUA, que dizem que o autismo não é uma doença e sim uma maneira diferente de ser (ORTEGA, 2008). Essa postura vem a eliminar as ideias pré-concebidas de psicanalistas nos anos 50 que acusaram as mães pelo autismo de seus filhos, chamando-as de mães geladeira.